A época em que acreditar no invisível era tempo de necessitar de provas, pois todas as capacidades e probabilidades que tinhas em mente foram testadas, apenas para saber como cada uma delas poderia acabar. Ao sentir a noite fria cair madrugada adentro ouvias todas as palavras que jamais imaginaste escutar. Por estar ali naquele quarto, ter pisado naquele chão antes, sabendo que era injusto estar ali e ouvir tudo aquilo no lugar onde nunca poderias pertencer, faz do cenário um lugar inapropriado. Os frustrados fogem, os desnorteados arrumam lugar para as notas rasgarem interior adentro. Sentados em poltronas que não são tuas, a escutar notas que serão para sempre deles, a olhar para coisas que não são tuas, vendo nelas tudo que um dia poderia fazer parte do que também deveria ser, de algum modo, teu.
Estou na época em que sabias dizer o que realmente acontecia aí dentro, época que parece distante... quando mesmo sem querer, ias lá no alto e voltavas muito melhor. Tu escrevias ao redor do ambiente inspirador, pensando em volta do quadrado, a imaginar o porque de te sentires tão envolvida, o porque de procurares estar nos lugares que escutavas as notas. Era arrebatador o som das notas tocadas, o lugar acabava por ficar cheio de vida.Houve um tempo em que os dias eram repletos de compatibilidade, tudo o que vinha cá dentro era transportado para fora. Houve um tempo em que podíamos salvar-nos com toda a nossa força e eu aguentava firme o ficar desnorteada pelas notas. Mas esse tempo foi embora com a chegada do frio e do mal tempo. O mal tempo onde posso ver que o tempo que me foi tirado vale muito mais a pena do que sentir este solo agora, que mostra-me algum dos sentidos da vida.
O mal tempo, onde posso sentir aqueles que hoje não viram a luz. O mal tempo, onde as luzes de Natal lá fora mostram um ambiente acolhedor, com a vinda do dia sagrado...se tornando assim e só por esse facto, um tempo bom.
Com a vontade de ir a procura do frio e da dor, porque é isso que a música diz que é o amor.

